VER SEM PRESSA O QUE NÃO ME PERTENCE

Museu Nacional Soares dos Reis 

5 out 2025 > 18 de jan 2026
Terça a domingo 10h –18h

O movimento é constante. É uma constante. Seja ele visível no arco que traça o testemunho da deslocação, ou seja ele a própria materialização dos lugares que serviram para fixar essa deslocação, o movimento está presente em todos os media que Céu Guarda utiliza nas suas obras. “Ver sem pressa o que não me pertence” insere-se nesta lógica e torna-se obra em múltiplas dimensões de diálogo: o que se estabelece com as peças do Museu, das quais isola e fixa os planos captados pelo seu olhar; o que estabelece com os autores do Museu, na coincidência da prática do desenho académico e na atualização do meio pelo qual a exprime, a fotografia. 

Retratos e fotografias de viagem dão conta do percurso de Céu Guarda por aqui. E de tudo o que trouxe de fora. São eles que revelam o oculto no lugar sem explicarem o propósito e deixando que a leitura do público complete eventualmente uma narrativa rarefeita. A viagem está no centro de toda a deslocação neste espaço. Desde as obras da coleção até às reservas escondidas da luz e omissas ao visitante usual de onde Céu Guarda escolhe o que ver. Todos estes autores foram ver mundo. Encheram os olhos e o entendimento daquilo que era (e é) diferente de si retornando a posteriori essa alteridade em forma de produto artístico. Classificar o mundo, enumerá-lo, arrumá-lo, explicá-lo ou, pelo contrário, vê-lo pela trama da surpresa e do insólito, daquilo que é simplesmente do próprio. Ou então ser o resultado de se ter voltado um outro após a viagem ter obrigado a atenção a deter-se, sem pressa, naquilo que é de outro.   

O movimento não para na obra, não se esgota na forma nem se ilustra com os objetos recolhidos do outro lado do mundo. O que fica, então? Ficam cadernos de apontamentos, desenhos apressados, esboços de paisagens, papéis metidos nos bolsos de forma inadvertida. “Ver sem pressa o que não me pertence” é a multi-expressão desse mistério repetido da descoberta que cada viagem permite retomar

Exposição de Céu Guarda
Curadoria de Rui Pinheiro
Textos de Cristina Peres


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